Tropas tentam conter protesto com repressão de madrugada no Cairo
Soldados e policiais egípcios abriram fogo e usaram cassetetes e gás lacrimogêneo pelo quinto dia consecutivo, para tentar retirar da praça Tahrir, no centro do Cairo, manifestantes que se opõem ao regime militar. Ainda de madrugada, disparos foram ouvidos na praça, onde os manifestantes tentavam resistir ao avanço de centenas de soldados e policiais. Após uma noite de confrontos, centenas de pessoas continuavam no local pela manhã.
Em meio a uma crescente preocupação internacional com a violência no Egito, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, classificou como "chocantes" os incidentes na praça. Em um deles, dois soldados egípcios foram filmados arrastando uma manifestante pela camisa, expondo suas roupas íntimas, e agredindo-a com chutes e cacetadas. Os EUA dão ao Egito US$ 1,3 bilhão por ano em ajuda militar. "Essa degradação sistemática das mulheres egípcias desonra a revolução, desgraça o Estado e seu uniforme, e não é digna de um grande povo", disse Hillary em discurso na Universidade Georgetown, em Washington.
Pelo menos 14 pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas desde sexta-feira na Praça Tahrir e ruas próximas. Entre os feridos, um jovem de 15 anos está em estado grave depois de ser baleado. Os generais e seus assessores têm condenado os manifestantes, às vezes em termos extraordinariamente duros.
Força - O general Adel Emara, membro da junta militar que assumiu o poder após a deposição do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro, disse na segunda-feira que o ataque contra a manifestante foi um incidente isolado, que está sendo investigado. Ele defendeu o uso da força pelas tropas egípcias, afirmando que elas têm o dever de defender as instituições do Estado. Os confrontos ocorrem em meio às eleições parlamentares no Egito, um processo de seis semanas que vai até 11 de janeiro. Mas o Exército prometeu que a transição para um governo civil será mantida, culminando com uma eleição presidencial em junho.
Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/nota.asp?materia=20111220090404
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